Adele - Set Fire to the Rain

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Medo de amar? Sim


Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da temida solidão, que é o que nos faz procurar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar instala-se entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.
O amor é tão nobre, tão denso, tão intenso e acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor encerra-se bruscamente, porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atracção, sei lá, não consigo perceber o que interrompe um sentimento, é um mistério confuso. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor para cada lado. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre muito difícil. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é brincadeira, é difícil e exige uma grande responsabilidade, pois é uma ferida que se abre no corpo do outro, e em si próprio, ainda que seja com menos dor.
E ter o amor rejeitado?! Nem se fala, é uma perda exposta, atrofiamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos essa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança, segurança e felicidade. Sem o amor, nada resta, a confiança acaba, o romantismo perde o sentido, as músicas patetas fazem-nos chorar.
Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo! Respondemos. Mas a final que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência quando sabemos que para sempre é impossível recusá-lo?!

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