Adele - Set Fire to the Rain

quarta-feira, 6 de julho de 2011

"Nada parece já ser real… Tu acordas sem ninguém te pedir, olhas para mim, forças um sorriso, e voltas a fechar os olhos, adormecendo de novo na imensidão dos teus almofadões (…) Mais uma vez fico eu a observar a tua enorme agitação no sono. E fico assim, tempos a fio. Até que de novo demonstras vida, de novo decides dar sinais de ti, mas agora já não assistes à minha presença no local. Deparas-te com uma boneca, aquela que sempre esteve lá, que nunca se pode vir embora pois não tem coração, não tem sentimentos. Aquela que permanece uma vida a olhar para ti e por ti, e tu simplesmente esticas a mão, revira-la, e voltas-te para o outro lado, deixando-a ali, de pernas para o ar.
Mas o sono não é eterno, aliás, dura apenas um pouco mais de tempo. Desta vez, queres-te levantar, sair dessa vidinha maçadora, e quando não é o teu espanto quando reparas que já nem a boneca está lá. É mesmo verdade, já nem aquele objecto não se encontra no local onde, de uma forma ou de outra, desde sempre permaneceu. Olhas à tua volta e a única coisa que consegues ver é o vazio, a única coisa que consegues ouvir é o som ensurdecedor do silêncio, a única coisa em que consegues tocar, que consegues saciar é o inevitável nada, esse nada que sempre te esperou, que sempre foi o teu fim, o teu destino (…)
E aí enches-te de raiva, aí apetece-te gritar mas estás sem voz, aí apetece-te destruir tudo à tua volta mas estás sem força, aí apetece-te correr, correr e correr, mas estás preso. Nasce o ódio. Nasce o desejo de vingança. Nasce a fúria. Mas nada pode mudar, não consegues remediar nada, pois estás sozinho, não tens ninguém para te libertar, não tens ninguém que te possa salvar(…)
Pedir ajuda? Não, pois para ti é preferível morrer. Procurar uma saída? Em vão, pois é inexistente! Voltar de novo ao sono? Não consegues, pois o peso enorme que tens dentro da tua consciência, o fogo que te queima o interior e o deixa em pedaços te impede por completo. Vês-te a cair aos bocadinhos no chão, vês-te a derreter pouco a pouco, vês o teu corpo tornar-se em cinza, sem que nada possas fazer para procurar a luz.
Está dia… é hora de acordar, mas não acordas, pois agora é o resto da tua vida, agora é o resto do tempo em que respiras, vivendo acordado no pesadelo, vivendo a dor que sempre deste a quem muitas vezes te viu acordar, a quem sempre te esperou, a quem sempre viveu por ti, a quem sempre fizeste sofrer.
E é assim, nada mais te adianta fazer, de nada mais te adianta lutar, tens finalmente o que mereces, e já ninguém quer saber, já ninguém se importa. Pois nunca deste ouvidos, nunca acreditas-te que, pareça possível ou não, a boneca com quem sempre brincas-te, um dia pode mesmo ganhar vida, e fugir pelo seu próprio pé, e nesse momento? Nesse momento já não tens ninguém que te possa acudir, que te possa, como sempre fez, tirar-te da depressão, do poço no qual sempre teimas em cair."

domingo, 3 de julho de 2011

O jogo está nas tuas mãos

"Não me conquistes com a minha música preferida se não a souberes de cor. De nada adianta se não a souberes sentir como eu. Não me conquistes com o meu perfume preferido se ele em ti não tem o aroma que eu procuro. Não me conquistes com emoções débeis nem com palavras vazias. Não me conquistes com vitórias fáceis porque nem todas as batalhas são dignas de vitórias. Não me conquistes com o adocicado das surpresas e com o toque aveludado da facilidade. Toda a gente sabe que eu vivo de muito mais do que isso. Eu sou o risco incalculável, o sabor mais amargo e o obstáculo no caminho. Eu sou o desafio difícil, a derrota, a vitória iminente e o veneno sem remédio conhecido. Eu deixo as cartas na mesa, elevo a fasquia e não deixo margem para pretextos...és tu quem decide se queres ou não ir a jogo."